Ariana Toriy - Fisioterapia Pelvica

TEXTO POR: ARIANA TORIY

Fisioterapeuta, Mestre em Fisioterapia e Atendimento especializado em Saúde da Mulher

ASSOALHO PÉLVICO, GESTAÇÃO E EXERCÍCIO FÍSICO

A força dos músculos do assoalho pélvico pode diminuir durante a gravidez e após o parto, devido a processos fisiológicos e alterações na posição anatômica da pelve e na forma da pelve músculos do assoalho.
Essa diminuição da força muscular facilita o aparecimento de alterações músculo-esqueléticas, levando à incontinência urinária, laceração perineal e dispareunia. A incontinência anal também tem uma clara associação com laceração perineal, especialmente quando a laceração envolve o esfíncter anal. 

É importante observar também que as mulheres com um períneo íntegro tendem a retomar a relação sexual mais cedo e são mais sexualmente satisfeitas do que as mulheres que episiotomia ou laceração. O treinamento muscular do assoalho pode reduzir o risco de incontinência urinária tanto no final da gravidez (≥34 semanas) quanto no pós-parto (≤12 semanas após o parto). 

A massagem perineal pré-natal também permite que o tecido perineal se expanda mais facilmente durante o parto e pode, portanto, diminuir a incidência de trauma perineal. Há vários ensaios clínicos mostraram evidências de que o treinamento do assoalho pélvico reduz o segundo estágio do trabalho de parto e reduz o risco de incontinência durante a gravidez e pós parto. Portanto, o treinamento muscular do assoalho deve ser ensinado rotineiramente durante o pré-natal e deve ser praticado em casa, inclusive durante gravidez.

Segundo a última diretriz canadense para “atividade física durante a gestação”, a atividade física não está associada a aborto espontâneo, parto prematuro, hopeglicemia, baixo peso ao nascer, dentro outros.
Pelo contrário, a atividade física está associada a benefícios para a mãe e para o bebê, tais como:
-menos complicação no recém-nascido;
- menor risco de hipertensão na gestação;
- menor risco de eclampsia;
- menor risco de incontinência urinária;
- menor risco de depressão gestacional...

Vale ressaltar que é muito importante monitorar a frequência, a duração e o volume da atividade. A atividade física na gestante deve ser considerada para reduzir o risco de complicações na gravidez e melhorar a saúde física e mental materna. Para as mulheres grávidas que atualmente não cumprem estas Diretrizes, é recomendado um ajuste progressivo em relação a elas.
Mulheres que já eram ativas fisicamente podem continuar a atividade física durante a gravidez, adaptando conforme o exercício e a cada trimestre de gravidez.

1. Todas as mulheres sem contra-indicação DEVEM ser fisicamente ativas durante a gravidez.
2. As gestantes devem acumular pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada a cada semana.
3. A atividade física deve ser acumulada durante um mínimo de 3 dias por semana;
4. As gestantes devem procurar praticar exercícios aeróbicos e de treinamento de resistência;
5. O treinamento muscular do assoalho pélvico pode ser realizado diariamente para reduzir o risco de incontinência urinária.

6. Exercícios para os retos-abdominais são altamente recomendados na fase gestacional, a fim de manter a diástase fisiológica.
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OBS: Mulheres com contra-indicações relativas ou absolutas devem discutir as vantagens e desvantagens da atividade física de intensidade moderada a vigorosa com seu médico antes de participar.
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É importante conhecer a indicações e contra-indicações na fase gestacional, antes de sair praticando qualquer atividade física.

Procure um profissional qualificado.