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TEXTO POR: ARIANA TORIY

Fisioterapeuta, Mestre em Fisioterapia e Atendimento especializado em Saúde da Mulher

ENDOMETRIOSE

ENDOMETRIOSE, Você já ouviu falar?


Conhece alguém que tem? Cólica, menstruação desregulada, dor fora do período menstrual, infertilidade. De uma forma geral, as apresentações clínicas de cada um dos tipos de endometriose variam entre os pacientes e as recomendações de tratamento geralmente são baseadas de acordo com sintomas e/ou status de fertilidade da mulher. A endometriose é classificada como superficial (ou peritoneal), ovariana (endometrioma) e profunda (definido como lesões infiltrantes com mais de 5 mm de profundidade).

Endometriose Superficial:
Apresenta pequenos focos com formas e até cores diferentes, o que por vezes dificulta o diagnóstico. A sua localização na maioria das vezes é na região pélvica e interna do abdome e não ultrapassam 3 mm, portanto, não atingem os ovários ou útero. É considerada a forma menos agressiva. Entretanto, necessita de acompanhamento, visto que pode evoluir para outros estágios.
Vale ressaltar que a agressividade da doença nem sempre acompanha os sintomas.
Por isso, não vale a pena esperar! 10% das mulheres não tem sintoma algum e acabam descobrindo quando esse estágio já está avançado e ocorre dificuldades para engravidar.

Endometriose Profunda:
A endometriose profunda é considerada a apresentação mais grave da doença, com profundidade superior a 5 cm. Podem se alojar em órgãos pélvicos como septo vaginal, bexiga, reto, intestino. É frequentemente responsável pela dor pélvica, dismenorréia e / ou dispareunia profunda, além de poder causar complicações obstétricas. Entretanto, independente do estágio, é importante destacar que nem sempre os sintomas aparecem de forma expressiva, o que pode camuflar a gravidade da doença. A causa da endometriose ainda não é bem esclarecida.
Por tanto, existem mulheres que não apresentam dor pélvica, ou dor intensa durante o período menstrual ou mesmo na penetração durante o ato sexual. Entretanto, são acometidas de lesões profundas que podem culminar na dificuldade de engravidar ou até na infertilidade permanente, caso não seja diagnosticado a tempo.

Endometriose Ovariana:

A endometriose ovariana é caracterizada pelo aparecimento de focos de tecido endometrial no ovário. Também podem ser conhecidos como "endometriomas". Quando a endometriose atinge os ovários, há probabilidade que ela tenha evoluído para outras áreas como intestino, passando já para outro estágio, tendo uma repercussão negativa na fertilidade ou mesmo dificultando a gravidez.
A causa da endometriose ovariana não é bem estabelecida. Uma das hipóteses é a entrada de tecido endometrial em um cisto ovariano normal. Ou mesmo sangue menstrual acumulado nos ovários, causado pela menstruação chamada retrógrada: a menstruação saindo pelo canal vaginal e também pelas tubas uterinas, na cavidade abdominal.

O sintoma e o sinal mais frequentes da endometriose em mulheres com endometriose é a DOR INTENSA e INFERTILIDADE.
Porém existem outros principais sintomas relacionados:
- menstruação intensa;
- constipação e dor intestinal;
- cólicas menstruais frequentes;
- sensação de cansaço/fadiga;
- dores intensas na relação sexual;
- dor pélvica ou no baixo ventre;
- dor para defecar ou urinar (essencialmente no período menstrual).
É claro que muitos desses sintomas podem parecer comuns e normais, tanto para as mulheres quanto para os profissionais de saúde. Cerca de 60% das mulheres apresentam sintomas como este.
A dor não está diretamente relacionada a gravidade da doença. Muitos desses sintomas podem estar relacionados à outros doenças, por isso é fundamental estar com um especialista.

O Exame CLÍNICO: é o primeiro passo no diagnóstico da endometriose é estabelecer a história clínica do paciente, com ênfase especial nos sintomas (dismenorreia, dispareunia, disúria, disquezia e dor pélvica crônica), bem como idade, altura, peso, origem étnica, gravidade, paridade, antecedentes cirurgia para endometriose, história familiar de endometriose, tratamento não cirúrgico prévio para endometriose e infertilidade. Acredita-se que 2% a 50% das mulheres possam ter endometriose assintomática
O segundo passo é baseado no exame FÍSICO, incluindo uma análise da vaginal posterior com um espéculo para procurar retração ou nódulos. Exames digitais devem ser realizados na vagina para avaliar as características do útero e anexos, ligamentos uterosacrais etc. O exame digital retal também pode ajudar a avaliar o envolvimento do reto ou da fáscia pélvica visceral.
O ULTRASSOM: surge como a técnica de imagem de primeira linha, acessível e de custo relativamente baixo. Deve-se explorar no exames locais como o peritônio para lesões superficiais, o útero para adenomiose e os ovários para endometriomas. Existem rotinas que solicitam preparo intestinal antes da realização do exame, para permitir a visualização de lesões intestinais.
A RESSONÂNCIA MAGNÉTICA: é recomendada pela sociedade européia é costuma ser realizada quando há suspeita de endometriose profunda, como diagnóstico diferencial.
LAPAROSCOPIA: A Sociedade Europeia de Reprodução e Embriologia Humana possui diretrizes para o diagnóstico de endometriose afirmando que o padrão ouro para o diagnóstico da maioria das formas de endometriose em mulheres com sintomas sugestivos é a inspeção laparoscópica visual da pelve.
Mas ATENÇÃO: é importante ressaltar que essa escolha deve ser apenas quando outros métodos falham. Recentemente, sabe-se que a ideia da realização da videolaparoscopia é melhor quando aliada a excisão de lesões, ou seja, a retirada dos focos da endometriose. O caminho é diagnosticar e tratar os focos, a fim de evitar cirurgias desnecessárias.
Entretanto, mesmo que você não tenha os sintomas mas descobriu que tem a doença, inicie o tratamento para controle, mesmo que não pense em ter filhos. .
Então vamos lá, vamos ver as nossas opções:
1- Alimentação: açúcar, gordura ruim, soja crua, carne vermelha..., leite de vaca são alguns exemplos de alimentos inflamatórios e potencializadores da endometriose.
2- Exercício físico: pode ser difícil começar, mas o corpo vai agradecer. As endorfinas liberadas auxiliam na redução da dor e aumentam a sensação de bem-estar, além de reduzir a inflamação causada pela doença.
3- Medicamentos: muitas mulheres iniciam tomando anticoncepcionais contínuos, como forma de tratamento a fim de suspender a menstruação. Mas sabemos que se não forem retirados os focos, não é tratamento, apenas controle dos sintomas. Existem outros medicamentos, fitoterápicos e afins que precisam de um post especial.
4- DIU Mirena: também com ação hormonal, porém colocado intrauterino, com duração de 5 anos. Entretanto, ele bloqueia a ovulação, o que pode impedir a menstruação. Para quem deseja engravidar não é tão interessante. Vale ressaltar que o tratamento é para o sintomas e não para o controle da endomentriose.
5- Fisioterapia Pélvica: A fisioterapia pélvica é especializada na dinâminca pélvica e auxilia no controle da dor pélvica, dor na relação sexual, dor miofascial.

6- Cirúrgico: Normalmente nas formas mais graves onde a dor ou outros sintomas não foram controlados com nenhum outro método e há dificuldades de engravidar, o método cirúrgico é o mais indicado. A ideia é retirar os focos, tentando preservar a saúde ovariana e aumentando as chances de controle da endometriose.
A endometriose ainda é muito estudada, não há uma cura definitiva e o controle da dor é realizado de forma individual.

Não se sabe se pela lesão de nervos e/ou associada à origem inflamatória da doença, a ENDOMETRIOSE causa um desequilíbrio entre sistemas de inibição e sistema facilitador de sensação da dor (nocicepção) que é encontrado em dores viscerais com consequências negativas por longos períodos no estado fisiológico geral da mulher.
A recorrência da dor está ligada ao tecido endometrial. Há mulheres com intensidade, ritmo, frequência e expressão de dor variada mas não há nada estabelecido em relação a localização dos focos com o potencial da dor.
A fisioterapia e atividade física estão relacionadas como terapêuticas não farmacológicas, de longo prazo, que potencializam os efeitos benéficos às mulheres, nas mais variadas condições de sensação de dor, frequentemente relacionadas a hipertonia muscular.
A hipertonia dos músculos do assoalho pélvico leva a desenvolver dor com a penetração, compressão ou palpação. Está associada também à disfunção urinária e defecatória, além de distúrbios sexuais femininos. A FISIOTERAPIA PÉLVICA concentra-se na dinâmica dos músculos pélvicos e visa promover a consciência do próprio corpo, desenvolvendo estratégias de enfrentamento e liberação da dor muscular, a fim de melhorar a qualidade de vida da mulher.
Procure ajuda, dor pélvica por mais de 6 meses pode ser ENDOMETRIOSE.
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ENDOMETRIOSE, é preciso falar.